Por: Leia Agora
Alegre, dedicado e com facilidade para fazer amizades. Foi assim que a jornalista Rose Velasco descreveu o filho João Guilherme, que foi morto aos 25 anos com um tiro na cabeça ao deixar o trabalho. Nesta sexta-feira (28), o crime completa um mês, sem a prisão de nenhum suspeito.
O homicídio aconteceu em uma das ruas do município de Sinop, próximo a uma restaurante renomado da cidade, onde João Guilherme trabalhava como chefe de cozinha. Não saber quem o matou e o que teria motivado o crime são angústias para família, que ainda espera uma resposta da Polícia Civil.
“Até agora nós, não só eu, mas todo mundo, estamos sem compreender o que aconteceu. Nada justifica e a polícia, até o momento, também não prendeu ninguém. Não concluiu nada. O inquérito vai ser prorrogado por mais 30 dias, automaticamenteele é prorrogado, e nós seguimos nesta incerteza. Nesse mistério todo”, desabafou a mãe.
A jornalista lembrou que o filho teve uma infância muito feliz. Cheio de amigos, porque tinha facilidade para fazer amizades, gostava de nadar, brincar e jogar vôlei. Esporte que se dedicou durante a adolescência, participando de campeonatos, até fora de Mato Grosso. A presença de Rose era constante nos treinos e nos jogos. A disciplina das quadras acompanhou João Guilherme para faculdade, onde decidiu fazer gastronomia.

“O curso exige que o acadêmico use uma doma. João Guilherme procurava chegar da aula e colocar a roupa do curso para lavar. Ele mesmo colocava na máquina. Ele era muito cuidadoso com as coisas dele”, recordou Rose. Foi a carreira na gastronomia que levou João Guilherme para Sinop, mas sempre que achava o tempinho vinha a Cuiabá, para visitar a família e fazia questão que a primeira parada fosse na casa dos avôs, onde gostava de provar as comidas da avó materna.
“Ele sempre fez tudo o que quis de forma muito intensa. Viveu a infância de forma intensa, viveu a juventude de forma intensa, conquistou o espaço no mercado de trabalho por mérito próprio, sempre procurando dar o melhor de si em tudo e tinha outros sonhos, que infelizmente, foram interrompidos”.
Rose lembrou que um dos últimos sonhos do filho era de voltar para Cuiabá em busca de uma nova oportunidade na carreira profissional, já que estava descontente com a remuneração que recebia onde trabalhava. De acordo com a mãe, João Guilherme voltaria para a capital neste ano, depois de passar mais de cinco anos em Sinop.
“Já estava tudo combinado. Ele já tinha comunicado os patrões, que ficaria só até eles conseguirem outra pessoa. Em setembro, ele teria uma viagem marcada para Salvador, onde tiraria férias de 15 dias e depois ele ficaria em definitivo em Cuiabá. O que também era um desejo da família, porque é ruim ter um filho morando longe, sozinho e ele estava muito preocupado com a questão da pandemia”, lembrou.
Depois de tomar a decisão junto à família no final de fevereiro início de março, João Guilherme voltou para Sinop para que seus patrões conseguissem encontrar um substituto. Enquanto isso, o chefe de cozinha organizava a venda dos móveis e a entrega do local que alugava para morar.
A jornalista disse que conversou pela última vez com o filho dois dias antes do crime. O assunto já era outro: o cardápio para o almoço do Dia das Mães. Mesmo sem poder participar da comemoração devido ao trabalho, a sugestão dele foi uma peixada já que todos da família adoram o prato. No dia 28 de abril, João Guilherme foi morto por dois homens em uma motocicleta depois de mais um dia de trabalho.
“Eu, minha filha e o meu marido estivemos em Sinop depois do enterro. A polícia não passa detalhes para nós. Temos colaborado e eles sempre falam para confiar, aguardar e que o crime será solucionado. Eles não me revelaram qual linha de investigação está sendo seguida”, disse Rose.

A mãe de João Guilherme pretende falar com delegado que investiga o caso na próxima semana para saber como anda as investigações.
Sabemos o quanto é complicado tudo isso e não queremos prejudicar nenhuma investigação, porque tudo que falarmos pode, de alguma forma, intervir. Temos colaborado para que o crime seja solucionado o mais rápido possível para acabar com esta angústia de não sabermos o que motivou. João Guilherme não era uma pessoa problemática. Nunca se envolveu com polícia, nunca teve briga ou discussão com ninguém e se dedicava ao trabalho e à família. Ele não era uma pessoa de viver de luxo, de aparência. Ele tinha uma vida humilde, simples, o básico para viver e o sonho dele era viajar e crescer profissionalmente. Então, não tinha um motivo”.
Nada de valor foi levado do chefe de cozinha no dia do crime, nem um celular IPhone que Rose deu para o filho de presente. “Por que? Qual a razão? Estes são os questionamentos que faço todos os dias. Morrer, sabemos que todos nós vamos um dia, mas da forma que mataram o João Guilherme foi de forma covarde e cruel. Isso é inaceitável, incompreensivo e não tem justificativa”, declarou.
Rose disse que vive um imenso vazio, que jamais será preenchido. “Só quero saber o motivo e entender por quê, só isso e mais nada. O que vier depois, leve o tempo que levar, não vou me desgastar, porque sei que vai ser um calvário enorme e não quero passar por isso. Me perguntaram se quero Justiça, falei que não vou usar este jargão, porque a Justiça que temos no Brasil não merece ter este nome. É um mercado financeiro que negocia interesse”.
O delegado da Polícia Civil responsável pelo caso, Bráulio Junqueira, disse que as investigações estão em andamento, porém não pode dar detalhes para não atrapalhar o trabalho. Entretanto, ele revelou que medidas judiciais foram pedidas para tentar comprovar uma suspeita.
Junqueira disse também que o celular de João Guilherme ainda está na perícia e que cerca de 15 pessoas próximas da vítima já foram ouvidas, mas não ajudaram muito. “Não importa o que você sabe, importa o que você pode provar. Até temos informações, mas temos que dar um jeito de amarrar esta situação com prova técnica, se não, não resolve nada. O crime de homicídio é trabalhoso, tem que ter paciência. A equipe não parou de trabalhar nenhum dia no caso, mas tudo requer tempo, prova técnica e paciência”.
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