Por: Redação/Assessoria
Em reunião realizada na segunda-feira (7), às 16h30, em alusão ao Dia Nacional de Luta dos Catadores de Materiais Recicláveis, com a participação prefeito, Héctor Alvares (PSL), do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saemi), e dos próprios catadores de materiais recicláveis, a Defensoria Pública de Mato Grosso solicitou que as grandes empresas de Mirassol D’Oeste (296 km de Cuiabá), geradoras de lixo reciclável, destinem o material aos catadores como condição para que a Prefeitura emita o alvará de funcionamento dos estabelecimentos.
“Foi exposto ao prefeito a necessidade de se criar um decreto para fixar quais empresas são as grandes geradoras de materiais recicláveis dentro do movimento, bem como determinar, como já fazem Cuiabá e Rio de Janeiro, que esses grandes geradores devem destinar os materiais recicláveis aos catadores, inclusive como condição para o alvará de funcionamento. O prefeito se mostrou favorável a isso e disse que vai dar andamento junto com sua equipe”, relatou a defensora pública Carolina Renée Weitkiewic.
A defensora pública, representante da DPMT no evento, também defendeu a inclusão dos catadores de recicláveis no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19 pelo fato de realizarem um serviço essencial à comunidade.
“Solicitamos que seja dada uma atenção especial para a vacinação aos catadores porque eles têm uma atividade contínua que não parou em nenhum momento e não pode parar. Isso também é uma questão de saúde pública porque, se a coleta de lixo parar, isso também vai afetar a saúde da sociedade”, sustentou.
Apesar dos catadores utilizarem equipamentos de proteção individual, como luvas, máscaras e botas, eles estão diariamente expostos a infecções, inclusive pelo novo coronavírus. Na ocasião, o prefeito se mostrou sensível à causa e se comprometeu a discutir o assunto com o secretário municipal de saúde.
A medida conta com o apoio dos catadores. “Seria ótimo porque tudo para na cidade, menos nosso trabalho, de onde vem nossa renda. Seria uma garantia para o nosso bem-estar e nossas famílias ficarem seguras”, afirmou Sandra Joaquina da Silva, presidente da Associação de Catadores de Mirassol D’Oeste
Realizada no galpão dos catadores de recicláveis do município, a reunião também tratou de vários outros temas, como a coleta de lixo, feita por uma empresa particular, que muitas vezes também recolhe o material reciclável, trabalho que é feito pelos catadores.
“Hoje em dia, tem a coleta de lixo, uma empresa privada, e a coleta dos recicláveis, de responsabilidade dos catadores. Acontece que tem alguns problemas com a coleta de lixo, que pega alguns materiais recicláveis. Ficou avençado que faremos uma reunião com a Saemi para conversar com essa empresa que faz a coleta de lixo para garantir que eles não peguem os materiais dos catadores”, destacou Carolina.
Na reunião, os catadores de recicláveis relataram que atualmente tem um problema técnico na esteira, equipamento importante para o trabalho deles. A Saemi assumiu o compromisso de providenciar um eletricista para consertar o problema.
Empoderamento – Apesar dos catadores já contarem com uma boa estrutura fornecida pela Prefeitura, como galpão, caminhão, motorista, prensas e auxílio com a energia elétrica, a defensora pública acredita que os trabalhadores precisam ser empoderados em relação aos seus direitos.
“Nenhum deles sabe fazer uma ata, não conseguem entender a gestão dos recursos e, conforme os princípios do Movimento Nacional dos Catadores, a autogestão é uma das prioridades dentro dos catadores porque só dessa forma eles serão empoderados, incluídos na sociedade, e serão protagonistas da sociedade e desta luta da reciclagem”, ressaltou.
Diante dessa situação, a Defensoria Pública se prontificou a organizar um curso técnico para os catadores, com a vinda de uma representante do Movimento Nacional dos Catadores junto com a ANCAT, braço técnico do órgão. O prefeito chancelou a ideia e se disponibilizou a fornecer um amparo, como alimentação e estadia, para os ministradores do curso.
“O trabalho da Defensoria é essencial porque não conhecemos nossos direitos de cidadãos, como pessoas humanas, às vezes somos malvistos pela sociedade como pessoa que não tem muita importância. A defensora explica os nosso direitos como cidadãos e como seres humanos”, agradeceu Sandra, representante dos catadores.
A defensora pública levou alguns mimos para os catadores para deixar o dia ainda mais especial, como chocolates e um equipamento elétrico que estavam precisando. O prefeito também entregou um livro e bombons aos trabalhadores.
“Ao final, falamos da importância do serviço que os catadores e as catadores realizam, que são verdadeiros agentes ambientais, sua importância em termos globais. Além de coletar para ganhar o pão de cada dia, isso também faz parte de um movimento de inclusão social”, disse Carolina.
