“A Justiça salvou a vida do meu filho e a minha”, diz mãe após ganhar ação que garantiu tratamento de saúde

Diagnosticado com diabete e necessitando de uma bomba de glicemia, Miguel – de apenas quatro anos – teve o pedido de tratamento negado pela operadora do plano

3

Com o filho em coma diabético, necessitando de uma bomba automática de insulina para a manutenção da vida e lutando simultaneamente contra a leucemia, Cristieli Sandri se viu obrigada a entrar na justiça após tentar todas as outras possibilidades para salvar a vida do filho.

“Eu estava desesperada, nós não sabíamos mais o que fazer, estava vendo a vida do meu filho se esvaindo diante dos meus olhos e aquele pedido negado na minha mão sentenciava sua morte.  Ele tinha o direito à vida, e o plano de saúde o dever de fornecer o que ele precisava. Para nós, nunca foi fácil manter o plano de saúde em dia, mas nós cumprimos nossa parte. Ainda tinha a dificuldade de eu estar lutando contra a leucemia, mas se você quer saber, só continuei viva para lutar pela vida do meu filho, disso eu tenho certeza “, esse é o desabafo da mãe de Miguel que lutou arduamente na Justiça na busca do cumprimento do seu direito contratual de atendimento de saúde do plano e do direito essencial do seu filho – a vida.

“Miguel teve um diagnóstico tardio com apenas um ano e oito meses de idade. Os médicos identificaram que o problema dele era diabete de um tipo raro, onde a compensação não era feita de forma regular – até então a suspeita é que ele tinha autismo. Foi somente quando ele foi internado que um médico identificou o problema e que recebemos o diagnóstico. Após muitos e muitos médicos, uma sequência infinita de exames, identificamos a gravidade do problema. Meu filho só teria uma vida saudável com a implantação do dispositivo, inclusive ele só teria uma vida com a bomba, já que as sequelas são graves, indo até convulsões, chegando a falência múltipla dos órgãos, ou seja, morte. Miguel inclusive chegou a ficar em coma diabético e enfrentou a UTI por várias vezes. Sem saída, tivemos que optar pela justiça”, detalha a mãe, que ainda lembra que a decisão não foi fácil.

“A nossa família já estava enfrentando dificuldades financeiras, com as sequências de exames e gastos com meu filho, e também com meu tratamento de leucemia, aprovado pelo plano, não sem luta, é claro. Tínhamos o desejo de buscar a ajuda de um advogado, mas ter mais esse custo era praticamente inviável para nós. Foi quando, por meio do padrinho do meu filho, tivemos acesso a um importante advogado da cidade que se sensibilizou com a nossa causa e nos conectou com a Dra. Adriana, responsável por nos ajudar e nos levar até essa vitória”, contou a mãe, emocionada.

A advogada Adriana Dogenski, formada apenas há dois anos mas com uma vasta experiência de vida –  proveniente de outra área profissional – abarcou literalmente a causa da mãe e trabalhou duro até o veredito positivo para a família.

“Eu sou mãe e rapidamente tive uma grande empatia pela história de vida dela, principalmente pela grande dificuldade que a família estava passando. Fora isso, era um direito eminente da criança e é o nosso direito essencial previsto na constituição, a vida”, explicou a advogada.

Adriana ainda lembra que teve que fazer um imenso exercício de distanciamento para ter assertividade técnica e contemplar todas as necessidades na peça jurisdicional, para que o juiz entendesse de primeira as reais necessidades da família e visualizasse o cerne da questão.

“Era um caso de vida e morte e isso precisava ficar claro rápido”, pontuou Adriana.

Outro ponto essencial na busca por justiça foi o laudo preciso feito pela médica, que indicava a utilização do dispositivo pela criança.

“O laudo claro, que contemplava inclusive as sequelas da não-utilização do equipamento, foi crucial para o veredito”, explicou a advogada.

Ela conta ainda que ficou muito emocionada e com a sensação de dever cumprido assim que a justiça determinou a compra do produto por parte da operadora do plano de saúde. “Nós advogados sabemos que podemos sim impactar profundamente a vida das pessoas e saber que usamos esse conhecimento para o bem. E que a justiça vai muito além do reconhecimento financeiro – necessário inclusive – vai para o nosso senso de dever cumprido de participação, do bem para a humanidade”, declarou.

Questionada sobre porque a opção da advocacia, de maneira mais tardia Adriana lembrou que o início da sua carreira profissional foi de superação e de muita dificuldade e o sonho da advocacia teve que ser adiado, mas não esquecido.

“Eu sabia que poderia contribuir muito com a sociedade sendo advogada e esse é meu principal objetivo, por isso fico imensamente feliz em contribuir com casos como o do Miguel, é para isso que quis seguir essa carreira”, sentencia ela, dizendo ainda que sabe que outras áreas da advocacia trazem um reconhecimento financeiro maior, “Mas dinheiro não é tudo, é muito importante, mas não tudo”, finalizou.

3 COMMENTS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here