Artigo: desafios da mulher advogada

0

Ainda quando criança, percebi que ser mulher é algo incrível

e ao mesmo tempo desafiador. A doçura e disciplina da minha avó e a força e

determinação da minha mãe me inspiraram a trajetória. Na minha casa, homem e

mulher trabalhavam e isso contribuiu para a formação da minha visão de

paridade. Apesar disso, desde muito cedo percebi que para conquistar meu

espaço, teria que me esforçar mais. Meu pai me educou como sua extensão e isso

contribuiu para a minha visão de capacidade, independente do gênero. Entendi ao

longo da vida que ser mulher é ser doce e firme, forte e fraca, ter medos e

coragem, é ter capacidade de sorrir e chorar, de cair e levantar. Ambiguidades

inatas a todas nós.

 

No mercado de trabalho essas características nos acompanham.

Quem nunca chorou em silêncio no banheiro? Mas isso faz parte do nosso universo.

Não porque somos choronas, mas porque nos permitimos sentir e isso nos torna

mais fortes do que fracas. Aguentamos pressão, enxaquecas, cobranças e ideias

pré-concebidas sobre nós e continuamos nossa marcha, sempre em frente,

enfrentando e transpondo cada obstáculo. Brigamos por salários iguais, por

respeito, por equidade.

 

Há vinte e dois anos decidi que seguiria a carreira de

advogada. Não foi nada fácil. Abrir um escritório, comprar os móveis em

parcelas a perder de vista. Orar todos os dias para os clientes aparecerem e

fecharem contratos… A advocacia me permitiu vivenciar situações e analisar as

questões sob vários prismas, muitas vezes além do direito. Não lidamos apenas

com processos, mas com pessoas. Estudá-las, ouvi-las, acolhê-las e direcioná-las

requer não apenas estudo, visão sistêmica, bom senso. Requer também muitas

outras habilidades que somos convidadas a desenvolver ao longo da nossa

caminhada profissional.

 

 

Acredito que uma carreira de realizações é construída com

esforço e muita dedicação. Além da “pompa”, que acreditamos que teremos

enquanto estudantes de Direito, existe a circunstância de noites em claro, abdicação,

muito estudo, pesquisas, mais estudo, exercício de paciência, desenvolvimento

de inteligência emocional, insistência, persistência, oratória e trabalho duro.

Além de tudo isso, temos que conciliar o lado profissional com nossas

multitarefas: mãe, companheira, dona de casa, filha, irmã, melhor amiga de

alguém. Desempenhar bem todos esses papéis e ainda buscar a excelência na

carreira – especialmente se você escolheu o universo jurídico para desbravar –

exige disciplina, força de vontade, resiliência… e o desafio de encontrar um

tempo para cuidar de si mesma.

 

Uma carreira de realizações não é construída da noite para o

dia. Afinal, somos aprendizes e cada etapa conquistada é importante. É seguir

desafiando-se na medida certa e comemorar cada objetivo alcançado. Tudo tem o

seu tempo e devemos aproveitar ao máximo a caminhada.

 

 

Encerro provocando uma reflexão. O escritor e psiquiatra

austríaco Viktor Frankl destaca em um de seus livros que existem três valores

centrais na vida: a experiência, a criação e a atitude. A nossa atitude, sem

sombra de dúvidas, será nosso referencial para respondermos às experiências que

a vida nos trouxer e naquilo que temos a oferecer ao mundo. E você, qual tem

sido a sua atitude diante da sua vida profissional?

 

 

 

 

 

Juliana Zafino Isidoro Ferreira Mendes Advogada, Consultora em Compliance,

Palestrante e Sócia cofundadora do Ferreira Mendes Advogados Associados.

 

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here